Turismo: que futuro

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Turismo: que futuro

Photo by Annie Spratt on Unsplash

Quando em Janeiro/ Fevereiro iniciei os posts sobre o investimento no Alojamento Local, estava longe de imaginar que o mundo iria parar devido à doença COVID19 provocada pelo vírus SARSCOV2. Neste momento não faz sentido continuar a falar sobre investimentos em AIRBNB pois a não ser que já tenha iniciado e feito o investimento, não é rentável  alugar a casa a Turistas quando não há turistas, e a retoma na melhor das hipóteses será em Abril de 2021. O Futuro do Turismo passa por uma adaptação e inovação por parte de todos os intervenientes.

A CRISE REPENTINA e inesperada

O sector do Turismo estava em alta não só em Portugal como em todo o mundo; vôos baratos, mobilidade, preços acessíveis e oferta de alojamento de qualidade impulsionada pelo AIRBNB, BOOKING e outras plataformas democratizaram as viagens; jovens com poucos recursos, famílias, 3ª idade, todos sem exceção viajavam dentro ou fora de fronteiras. Se por um lado havia indicadores para 2020 de uma desaceleração ligeira da economia, por outro ninguém previu uma crise tão abrupta como esta que estamos a viver. Ninguém se atrevia a prever que um surto viral tivesse as implicações a nível global agora conhecidas, não havendo por isso preparação ou planos de contingência para o que estamos a viver.

O sector do Turismo e Aviação, foram os primeiros a ser afectados pela crise económica  instalada, e os que mais perdas irão sofrer.  Em 2018, as actividades ligadas ao sector hoteleiro, à restauração e similares davam emprego a mais de 328 mil pessoas. Mais de 90% das receitas turísticas geradas pelo país provinham de estrangeiros (Europeus na sua maioria).  Com o fecho das fronteiras e a falta de mobilidade, assistimos de forma abrupta ao fecho de Hotéis, empreendimentos e Restaurantes, cancelamento de reservas, e consequente perda de receitas. Todas as famílias que em Portugal dependem deste sector, encontram-se numa situação muito crítica chegando a ser dramática em muitos casos. Apesar do subsídio da Segurança Social e lay off, dos  apoios governamentais que visam minimizar os prejuízos, para a maioria de nós é insuficiente, pois as despesas não desapareceram e os apoios não cobrem a sua maioria.

É de referir que esta é uma atividade Sazonal, temos em conta essa realidade, e por isso comportamo-nos como a formiga que trabalha no verão  para ter o que comer durante o Inverno. A grande questão agora é: Quando e como será o fim do Inverno?

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AS PRIMEIRAS REAÇõES do AL

Nos últimos 2 meses assistimos a reacções diversas e vimos  muitos dos nossos colegas de Alojamento Local  migrarem para o regime de “mid-term”, com contratos de médio prazo que podem ir até um ano, outros a abandonar a actividade e a voltarem-se ou regressarem ao arrendamento tradicional.

 O sector do turismo viu-se obrigado a procurar estratégias alternativas e temporárias para se manter activo. No caso do “mid term”, são imigrantes brasileiros que já moravam em Portugal antes da pandemia, pessoas com casas em obras, “nómadas digitais” ou recém divorciados em busca de uma solução rápida até reorganizarem a sua vida. Esta está a ser para muitos uma solução de contingência para os próximos meses, com a perspectiva optimista de retoma  prevista para a Páscoa de 2021.

As próprias imobiliárias viram aqui uma oportunidade e diariamente somos bombardeados na nossa caixa de correio com agentes a oferecerem os serviços da imobiliária e a sugerirem uma mudança para o arrendamento tradicional.

 De qualquer forma, ainda é cedo para saber se estas casas irão permanecer no mercado de arrendamento residencial de longa duração, uma vez termine esta crise sanitária.

A Reacção do do Turismo

As cidades são as mais dependentes do Turismo externo. Certas regiões do país como o Algarve, o Sudoeste Alentejano e estou em crer o interior vão atrair o mercado nacional durante as férias e fins de semana. Há ainda uma esperança no mercado britânico, um dos mais importantes para o país nomeadamente Algarve. Com a abertura dos aeroportos na Europa ainda não assistimos a um crescimento de reservas em Lisboa e estou certa que os que considerarem seguro viajar, o vão fazer em cima da hora.  Até agora, a maioria das reservas de Verão era feita com 90 a 60 dias de antecedência. Vamos ter de nos adaptar a reservas em cima da hora.

Num artigo recente do PUBLITURIS era referido:

“Excesso de turismo no mundo, e particularmente no nosso país, era um tema que se abordava com alguma frequência nos tempos mais recentes. Discutia-se que os centros das nossas principais cidades estariam a ficar desertificados das suas populações autóctones, devido ao crescente aumento de unidades de alojamento local. Passadas as dificuldades levantadas pela conjuntura atual alguém se lembrará de levantar o véu para esta problemática de novo? Pouco provável. Como consequência da pandemia, o paradigma do negócio vai ser obrigado a sofrer uma mudança profunda. Quando finalmente houver condições para o regresso dos players à actividade no mercado, deparar-nos-emos com um mundo novo.”

A Retoma: Em Que moldes?

A tão desejada retoma, ainda que seja mais rápida em algumas regiões (especialmente no interior), será lenta e depende muito da nossa capacidade de nos reinventarmos e da nossa criatividade para atrair pessoas. É indubitável que os efeitos da pandemia nos obrigaram a rever e reinventar a forma como desenvolvemos a nossa actividade, tão baseada nas relações entre pessoas; agora mais do que nunca, os diversos parceiros têm de se unir e trabalhar todos juntos na mesma direcção ao invés de embarcarem numa concorrência desleal (seja a nível de preços ou descontos e ofertas inapropriados). A valorização do produto deverá ser o o objectivo final, não o preço excessivamente baixo que não beneficia nenhum dos intervenientes. Se é certo que os preços tendem a baixar por falta de procura,  o desafio de encontrar o equilíbrio entre o preço e a oferta é agora maior, ao ser diminuído o poder de compra dos consumidores.

Alguns especialistas que utilizam como exemplo as crises anteriores, referem que quando existe uma desvalorização acentuada dos preços, o tempo da duração da queda até à recuperação aumenta em cerca do dobro. Além disso, a redução dos preços pode conduzir à perda de posição e competitividade no mercado.

Segundo estudos elaborados recentemente, a confiança na segurança, higiene e desinfeção de espaços aparece como o primeiro factor de reserva. Sem confiança não vai haver mobilidade. Nesse sentido, torna-se urgente reconstruir a confiança dos consumidores para que voltem a viajar.

Numa primeira fase, será o Turismo interno o primeiro a recuperar; no caso do nosso país, o interior. A procura será maior: quem viaja habitualmente para o estrangeiro irá limitar ou suspender as suas viagens; e irá procurar locais mais calmos, menos povoados e com capacidade de alojamento mais reduzida.  O interior  possui ainda a mais valia de se poder apresentar como turismo sustentável, de Natureza,  que priveligia o ar livre, o que constitui uma garantia maior de segurança e confiança. As regiões de Turismo do interior já o entenderam e rapidamente accionaram meios de dinamização estando fortemente apostadas em atrair o Turista Nacional e Espanhol.

São boas notícia para o Alojamento Local: além do factor proximidade, o Turista irá procurar espaços mais pequenos, privados, onde a interação com outros hóspedes seja limitada, quer em pequenos empreendimentos de Turismo Rural ou casas independentes.

Captar o turismo internacional

A nível  internacional, Portugal  já tinha  uma boa imagem como destino Turístico.  A percepção de segurança e confiança que conseguiu transmitir durante o estado de emergência e progressivo desconfinamento através da disciplina e civismo dos  cidadãos, passou além fronteiras e o país foi tido como exemplo na comunicação social internacional.  Com a abertura das fronteiras e o regresso dos vôos internacionais, será possível captar algum volume dos mercados mais próximos, como sejam os de Espanha, França, Reino Unido e Alemanha. Num estudo recente, 70% dos Europeus consideram viajar para o estrangeiro ainda este ano.

O Turismo de Portugal, foi dos primeiros organismos a perceber a importância e necessidade de promover Portugal como destino seguro, e lançou uma campanha de sensibilização e formação – o selo CLEAN & SAFE-  junto dos intervenientes do sector com novas regras muito claras e  específicas  na limpeza e desinfecção de espaços públicos de Hotéis, Empreendimentos Turísticos, Alojamento Local, Restaurantes, Agentes de Viagens, que permite criar os elementos de confiança para que o turista se sinta seguro; na região da Madeira, as autoridades irão inclusive  realizar testes de forma a garantir a segurança de residentes e turistas. A adaptação às novas regras é fundamental, quem melhor se adaptar, mais facilmente irá recuperar.

Outra implementação a considerar seriamente será o Check in automático ou Self check in. Para muitos já uma prática comum, será também um factor de confiança e segurança, estando assim assegurado o mínimo contacto físico. Um desafio para  o Alojamento Local, tradicionalmente habituado ao check in presencial, mais personalizado.

Podemos ainda apostar na “ implementação de “assistentes virtuais para ajudar a melhorar a interação e a experiência do visitante”, quer enviando um vídeo com as indicações e explicações habitualmente dadas no check in, aconselhar restaurantes, passeios, visitas,  e mail com informações ou suporte digital nos apartamentos.

Aapostar nas redes sociais_ Facebook e Instagram; aqui tem a hipótese de comunicar, informar, assegurar as práticas existentes. A tecnologia pode e deve ser uma ferramenta a explorar neste momento. Uma coisa é certa, como noutras crises, os que se adaptarem e reinventarem serão os sobreviventes.



EM suma:

É vital apostar na confiança e segurança para fazer face aos desafios sanitários.
–  Higiene e desinfeção
– Captaçao de turismo nacional
– Check in automático
– Utilizar as redes sociais para comunicar com os hóspedes
– Tecnologia: informações em formato digital
– Criatividade e Inovação: Incorporar o Digital;
– Sustentabilidade: novos desafios

Estratégias em prática por parte de algumas unidades

Certas unidades Hoteleiras abriram e vão abrir com novas estratégias:

– Apoio a instituiçoes solidárias: doação de um valor por cada noite reservada;

–  Políticas de descontos para reservas antecipadas, estadias mais longas, escapadas de fim de semana;

– Descontos especiais para profissionais de saúde, e outros que estiveram sempre na “linha da frente”;

– Maior flexibilidade no cancelamento e alteração das datas de viagem;

– Testes semanais de despiste à COVID-19 para todos os colaboradores;

–  Instalação de tapete sanitário à entrada de todas as unidades, para desinfecção das solas dos sapatos;
– Garantia de que os quartos têm um período de 24h entre ocupações;
– Estabelecimento de parcerias com fornecedores locais que entregam cabazes de mercearia;

– Incentivo à utilização de entregas de refeições (Uber eats e Glovo);

Suportes utilizados para este post:

Publituris

Turismo de Portugal

Workshops e Webinars com o Tema do Turismo

Se tiver outras ideias para ajudar a retoma dos pequenos empresários, deixe aqui o seu comentário; juntos seremos mais fortes.

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