A Crise no Alojamento Local

Efeitos da pandemia

Após sucessivos anos de crescimento, 2020 trouxe ao sector uma crise profunda. Apesar da vacinação a nível mundial, as previsões de retoma do sector do Turismo são ainda muito contidas.

Segundo dados recentes da PWC, as estimativas de retoma são muito cautelosas. As previsões mais otimistas apontam para uma retoma em 2022, e em 2023 poderemos atingir os números pré pandemia. As mais pessimistas apontam o ano de 2024.

Pelo meio fica um sector perdido, descapitalizado e em muitos casos endividado.

Alguns Dados

As quebras no Turismo variam entre os 70% e chegam aos 100%  em alguns casos.

O AL Registou quebras de Faturação de 75% em 2020.

Em Lisboa e no Porto (cidades onde tem a maior expressão), as quebras variam entre os 85 e os 90%.

Em relação a novos registos, o número não era tão baixo desde 2014.
Lisboa teve em 2020 483 novos registos e 597 cancelamentos. O Porto registou 675 novos registos e 668 cancelamentos.

Apesar de todos os contratempos e falta de receitas, 74% dos proprietários têm intenção de continuar ou voltar ao AL.

A nível nacional

O Algarve e algumas zonas do interior no Norte, centro e Alentejo, reduziram no verão o impacto da quebra de turistas e receitas e cresceram face ao ano anterior. No entanto, a partir de Setembro/Outubro a sua atividade também caiu e o negócio estagnou.

Esta crise é transversal a todos os que de forma direta ou indireta dependem do turismo.

A Reação do sector

Para fazer face ao imediato, muitos viraram-se para o arrendamento a médio prazo. Aluguer a estudantes, nómadas digitais, recém divorciados, jovens casais entre outros.

 Arrendamento de longa duração. Agentes imobiliários e algumas entidades, pressionam e aconselham nesse sentido sobretudo nas grandes cidades. Baseiam-se na incerteza da retoma e sugerem que o arrendamento é mais seguro que o investimento no turismo. Segundo dados da Alep,  apenas 10 a 15% dos proprietários migrou para o arrendamento de longa duração.

Os programas de arrendamento público. Menos de 5% dos proprietários admitem aderir a programas de arrendamento público, aliás o Renda Segura tão divulgado pela CML ficou muito aquém das expectativas; mais uma vez os proprietários não confiam nas autoridades. Estes programas não protegem os seus interesses.

Motivos da resistência ao Arrendamento de Longa duração

  • Quebra de rendimentos em relação ao AL;
  •  Falta de confiança no Estado e na legislação do arrendamento. (Na última revisão, os contratos têm um mínimo de um ano, e passam a ser renovados por um período de 3 anos, salvo acordo entre as partes);
  • As moratórias das rendas;
  • Motivos relacionados com a vida pessoal (possibilidade de usufruto da habitação);
  •  Especificidades dos imóveis que não se adequam ao arrendamento de longa duração;
  • Perda da licença de AL;
  • Mais-valias de desafetação (embora a lei do OE 2021 tenha sido alterada, o novo regime estipula que apesar de só ser tributada a mais valia no acto da venda, é cobrado um novo imposto. No momento em que se abandona a atividade é necessário pagar um imposto que terá de ser pago em função do valor patrimonial do imóvel e que será multiplicado por todos os anos em que o imóvel esteve em atividade);
  • A manutenção dos imóveis;
  • Crença na retoma do turismo e o desejo de voltar à atividade.

E Agora? -Os novos desafios do AL

E Agora? Os novos desafios do AL

Quem conseguir  resistir têm ainda novos desafios pela frente. Os intervenientes políticos querem diminuir a pressão turística nos centros das cidades, apesar do Turismo ser um sector vital na nossa economia.

Esta questão pode no entanto ser benéfica para as regiões à volta das cidades, que podem vir a tirar um ainda maior partido do Turismo.

Este é um negócio ser feito de pessoas para pessoas. Apesar disso, era Digital é uma realidade. A experiência já não pode ser dissociada da tecnologia. Há que estabelecer novas formas de comunicar através dos meios digitais. Um desafio e uma oportunidade para os operadores de Alojamento Local.

A sustentabilidade também entrou pela porta principal, e veio para ficar. Os operadores terão de encarar o tema como uma oportunidade.

O Turismo de Portugal está a preparar um plano de Turismo sustentável 2023, que conta já com mais de 70 medidas que promovam a sustentabilidade.

É fundamental promover um turismo sustentável.

Como? Através da criação de boas práticas.

Desde a gestão eficiente dos recursos energéticos,  promoção da economia circular, redução da utilização de plásticos,  uso de detergentes não poluentes, sensibilização dos profissionais e turistas.

Num artigo de opinião do Publituris, Ricardo Miranda, Founder and Creative Partner da Wonder Why, refere:

“É fundamental perceber o que se fez de novo: claro que as novas regras sanitárias surgem à cabeça (selos de segurança, desinfeção rigorosa, ligação a unidades de saúde, etc.), mas não chega. O que fizemos de novo em termos de turismo sustentável? Que novos projetos de turismo foram lançados em pandemia que mostram visão e coragem? Que produtos e serviços fruto da inovação pura foram lançados? Houve exemplos em que fomos pioneiros?” por Por Ricardo Miranda, Founder and Creative Partner da Wonder Why jornal Publituris https://www.publituris.pt/2021/02/19/opiniao-portugal-precisa-de-cabeca-fria/

São estas as duas grandes áreas a desenvolver, nomeadamente pelos proprietários e gestores de AL: Inovação tecnológica e Sustentabilidade.

Torna-se ainda necessária a união e cooperação entre profissionais  do AL, que contribuiu no passado para o desenvolvimento do  Turismo, e que enfrenta o desafio da retoma com uma nova preocupação: a Sustentabilidade.

Finalmente, destaco a qualidade como factor de diferenciação. Há que estabelecer um compromisso qualidade/preço. Portugal é um país que sabe receber, temos de nos fazer valer das nossas competências, do nosso produto que é muito bom na larga maioria dos casos, e apostar num serviço de excelência e qualidade, ao promover mais do que Alojamento. O turista é exigente, escolhe o AL porque procura uma experiência diferenciadora a qual devemos estar preparados para proporcionar.

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